Fisio in Fit

Altura do Selim

Cada vez mais a sociedade se encontra em cima de uma bicicleta, pois é a prática do ciclismo está aumentado consideravelmente, isso se deve pela busca de um bem estar e qualidade de vida pelas pessoas, também influenciada pela mídia empregada em cima do ciclismo, na exposição de provas, como por exemplo, tour de France, giro d’Italia entre outras. Não só a utilização de bicicletas de estrada (Road) mas também as mountain bike(mtb) tem se tornado comum,  daí existe uma preocupação unânime entre os ciclistas que está relacionada com altura do selim.

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Muito se fala sobre altura do selim, existe muitas teorias e medidas, porém nem todas são verídicas, uma das formas mais conhecidas e comentadas para achar a altura ideal do selim é a famosa altura do cavalo ou tamanho do cavalo, que apesar desse nome estranho não tem nada a ver com cavalo, refere-se a  entre pernas do ciclista, ou seja, é uma medida realizada tendo como base o osso do púbis (região inferior da pelve) até o chão, depois multiplica este valor por 0,88, o resultado encontrado seria a altura do selim.

Porém usar essa medida com base para encontra à altura do selim correto, e uma equívoco, pois existem três argumentos que acabam deixando este método duvidoso.  O primeiro deles é com base na anatomia, a região do quadril que fica apoiada no selim, são os ossos dos ísquios e o que realiza o movimento de pedalar é a articulação do quadril, duas regiões mais altas que a região do púbis.

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O segundo e a terceiro argumento tem base na cinesiologia e biomecânica, que leva em consideração que o corpo humano não é uma ciência exata como a matemática ou física, onde a soma de 2 + 2 gera um resultado sempre igual a 4, já o corpo humano é muito instável e improvável, onde a soma de 2 + 2 pode gerar um resultado igual a  5 ou as vezes 3, isso quer dizer que o corpo humano não tem como ser medido ou calculado precisamente, pois muitas coisas podem influenciar no tamanho do membro, como por exemplo, encurtamentos musculares, compensações articulares entre outras coisas, exemplo comum a ser observado é uma pessoa que tenha uma desnível de quadril, onde apresentará uma perna maior que a outra, porém este discrepância entre pernas ocorre por um desequilíbrio articular, isto não quer dizer que uma perna é maior que a outras, mais que a uma compensação das articulações na tentativa de manter uma simetria postural.

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O selim deve ser regulado levando em consideração a amplitude articular, ou seja, os ângulos que as articulações de quadril, joelhos e tornozelos devem ser posicionadas, serão os ângulos onde ocorrerá o movimento sem sobrecarregar as articulações ou repuxar tendões e ligamentos. A altura do selim deve ser ajustada a uma posição que não deixe o joelho muito flexionado, pois uma flexão excessiva deve provocar dores no joelho, por causar um contato entre a patela e o fêmur, proporcionando uma patologia no futuro chamada de condromalácia patelar, além de não gerar força muscular por uma aproximação demasiada dos miofilamentos de actina e miosina, mecanismo responsável pela contração do músculo. Assim como um selim muito alto deixar o joelho uma extensão exagerada, gerando dores na região posterior ou lateral do joelho, por um estiramento dos tendões e ligamentos posteriores da coxa, além de não gerar força a pedalada pelo afastamento dos microfilamentos actina e miosina, por não conseguir eficiência na realização de pontes cruzadas, estrutura que essencial na contração muscular.

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Ainda a outra preocupação, pois o selim em uma altura e posição errada leva a uma tentativa de compensação na pedalada pelo tornozelo, motivando uma dorsiflexão ou flexão plantar exagerado do tornozelo, que proporcionará dores na região articular do tornozelo (parte anterior) e dores no calcanhar e/ou na panturrilha por causa de um estiramento nos ligamentos dos músculos gastrocnêmio e sóleo, além de ocorrer uma abdução ou adução do quadril durante o movimento de pedalar que reflete com um desvio mediano ou lateral do joelho que eventualmente pode causar dores no joelho, por estiramento dos ligamentos, esse movimento pode ser melhor avaliado com uma análise 3d da pedalada do ciclista .

Por isso antes de pedalar procure orientação de um profissional fisioterapeuta, para realizar o bike fit em sua bicicleta e ajustá-la corretamente para sua postura, pois só assim você não correr o risco de sofrer uma lesão aguda ou crônica que lhe impossibilita de praticar esporte ou até mesmo suas atividades de vida diária, aumentando ainda o seu rendimento com a bicicleta.  Muito cuidado com os bike fits online, pois são realizados com base em cálculos e a margem de erros e muito grande, como citado anteriormente, outro cuidado é com os “bike fits de rua” aqueles onde as pessoas falam eu acho que o selim está baixo ou alto, eu acho que a frente da bike está baixa, entre outro comentários, o eu acho não tem base científica nem uma e o ajuste da bicicleta não dá para ser feito no olhômetro, sem o conhecimento do corpo humano.

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